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segunda-feira, junho 1

Brinquedos Partidos


Se
há uns tempos atrás me perguntassem a fórmula mágica para sorrir perante as contrariedades, eu diria que era a fé. Que bastava acreditar, acreditar mesmo com muita força e puf! Tudo se resolvia. Diria que bastava sorrir e tudo se tornava mais fácil.

Eu era capaz de dizer isto a todos aqueles que se cruzassem no meu caminho...

... mas isso foi apenas até te conhecer.


Porque tu vieste e mudaste todas as perguntas. Depois foste e escondeste todas as respostas.

Viraste o mundo do avesso.


Pareceu-te um jogo divertido esta desordem que criaste? Parece que foi um daqueles jogos que nos viciam e não conseguimos parar de jogar. Só que, no final, não foste capaz de ficar e ajudar a arrumar o caos. Não foste capaz de ajudar a limpar os cacos dos brinquedos que partiste.
Simplesmente foste embora.

Foste e deixaste-me com a pá e a vassoura na mão, sem uma palavra... apenas com um bilhete a dizer "Limpa!"
Só que esqueceste-te de me ensinar a fazê-lo.

Tu apenas me ensinaste a criar o caos...

Como queres que agora eu [te] saiba limpar?

segunda-feira, maio 18

[vont]ades ,





"As vontades não se pegam. Ou então não são vontades sinceras."




Então porque é que de cada vez que te olho nos olhos me dá vontade de te[r] [am]ar?
"As vontades não se pegam..." ressoa na minha cabeça...
Então porque 'raio' é que de cada vez que estou contigo experimento sempre mil e uma vontades... mil e uma sensações... todas tão diferentes... e tão iguais. Tão únicas... tão tuas...
Porque são tuas, entendes? As vontades...
Pertencem-te. Não a mim.
Porque eu também não me pertenço. Não sei se há um eu sequer.

- Há?

Porque é como se tudo o que eu sou fosse agora teu.
... como se tudo o que te dei tivesse sido simplesmente deitado ao lixo.

- É isso. É assim que tu me vês, não é? Como lixo...
~ Não.
- ...
~ Tu és aquilo que de melhor eu tenho.

(Silêncio)

~ Não dizes nada?

(Suspiro)

~ Ainda não entendeste, miúda?
- Não me chames isso!
~ Desculpa...

Apetecia-me virar-te as costas, entendes?
Ser capaz de te deixar ficar para trás, de dizer adeus e escrever um ponto final. Mas como se [escre]ve isso numa história que sempre [te]ve somente vírgulas?

~ Tu és a minha vontade...

(Sorriso)

Mas será que tu sabes sempre o que eu preciso de ouvir?

sábado, maio 31

. ausência de cor *


Esta ausência de cor consome-me. Corroe.
Lembras-te da última vez que te escrevi? Dessa vez dizia que era a tua ausência que me corroia .. como um gás.. como o grisú (o gás das minas que mata aos poucos)! Agora.. Agora não é só a tua ausência. É a total ausência de vida.. de cor. Ou terá sido a tua ausência que me trouxe a ausência de cor?

Já não há azul, rosa ou vermelho.. nem o verde que tanto gostas. Há branco e preto. E esse branco e preto é o sufiente, dizes tu. Mas nunca te apercebes-te que, na minha vida, o branco e preto é gás que mata.
Eu preciso de cor! E tu roubaste-a. E escondeste-a. Ou terás mesmo destruido a pouca cor que ainda havia?
Eu preciso dessa cor. Preciso da cor de volta à minha vida.


Preciso de acordar e sorrir com o azul do céu.
Preciso de sair a rua e ver o verde da natureza que tanto gosto.
Preciso de me sentir aconchegada pelo amarelo do sol.
Preciso de reclamar por o céu ficar cinzento.
Preciso de, à noitinha, poder procurar o
prateado (ou branco?) das estrelas.

Preciso de cada pedacinho de cor que existe à minha volta, no mundo.
No nosso mundo.






Devolves-me a cor, por favor?

segunda-feira, maio 19

. ausência !

As lágrimas caem apressadas... Já não as consigo conter.
Soluço numa tentativa desesperada de recuperar o ar que me roubas!
A tua ausência dói demais...
Despedaça-me.
Consome-me.
Queima-me por dentro como se fosse ácido.
Corroe até o mais recôndito canto do meu ser.
A tua ausência...
A tua incompreensível ausência!
É como um gás que me fizeste inalar (para morrer?) quando apenas queria o doce sabor do teu abraço...


Se eu to der... ainda o retribuis?

quarta-feira, abril 2

. aquele momento !





De olhos fechados lembro e relembro cada momento.. cada gesto.. cada palavra dita.. e todas aquelas que ficaram por dizer. Todas aquelas que ficaram suspensas no ar.. lendo-se apenas nas entrelinhas do momento.
O olhar distante, fixo naquele ponto onde tive alguns dos dias mais felizes da minha vida.. Enquanto as palavras saiam e eu me surpreendia a mim mesma com tudo o que dizia.. Sim, tudo foi sincero. E foi nessa sinceridade que, ao perceber o que estava a acontecer, chorei. E foi nessas lágrimas que viste tudo o que realmente estava a sentir. E foi com essas lágrimas que percebeste que estava a sofrer com tudo e que realmente nada estava a ser fácil para mim. E não, não foram lágrimas propositadas.. não foram planeadas.. Surgiram. E quando dei por mim já tinham caído. Foram sinceras.
Em tantos anos, poucas foram as vezes que me viste chorar. E viste, realmente viste lágrimas em mim, quando eu já não as conseguía mais conter. Quantas vezes? Recordaste?
E de todas as vezes.. uma.. apenas uma.. As lágrimas foram inesperadas.
Esta.
E de todas as vezes.. Foi a única em que chorei.. não por mágoa.. não por dor ou tristeza.. Mas por me ver a enfrentar uma realidade que preferia não existir. Por ver que crescemos. Por ver que estamos diferentes.. mais maduros.. mais próximos.. mas ao mesmo tempo mais distantes.
Sim, de todas as vezes, foi esta em que as lágrimas mais doeram.
(...)

domingo, fevereiro 24

. a janela dos sonhos *

Hoje procurei a janela.
A mesma janela que à dias me devolveu a minha imagem.
Agora, ainda é dia.
A luz está apagada e a janela aberta para que entre aquele ar fresco do fim da tarde com sabor a verão.
Procurei um papel e uma caneta. E limitei-me a escrever.

Escreveria sobre nós... Se esse nós realmente existisse.
E de nada adianta continuar a escrever histórias sem fim...
Sobre mim... sobre ti... porque somos agora seres isolados... mas sem saber ainda viver assim.
Hoje sinto a tua falta.
Apeteceu-me correr para ti... abraçar-te com força...
E poder encontrar no teu peito conforto para o meu rosto... para as minhas emoções...
Sentir-me protegida... sentir-te perto... dentro.

Penso em todos os anos que ficaram para trás...
Que significado poderão eles ter agora?
Sinto-te. És-me.
Será isto suficiente?
Eu não quero ser pelos dois... *



Eu continuo à espera...
Naquele banco... naquele momento ...