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sábado, setembro 3

Há destinos dos quais não podemos fugir.





[Blog fechado. Até um dia.]

quarta-feira, janeiro 26

- Vou fechar o meu blog.
~ Porquê?

(…)

- Acho que preciso de fechar alguns capítulos na minha vida. Já se passaram 3 anos desde que o abri... e foram os 3 anos mais difíceis que tive, na sua totalidade. Eu abro o blog e só vejo a mágoa nas palavras que escrevi... vejo o ódio que por vezes senti... vejo a desilusão de não ter sabido ser mais... e eu não quero isso. Não quero ser assim. Estou a aprender a aceitar e a viver com cada uma dessas coisas... ou quero aprender... e não consigo fazê-lo estando constantemente ligada ao passado, podendo lê-lo/revê-lo/revive-lo a cada instante... podendo rever-me, revendo a pessoa que fui (e talvez ainda seja) e da qual não gosto. E eu não preciso de me magoar mais agora... tudo o que tenho já dói demais.






Blog fechado por tempo indeterminado [ou talvez de vez].

domingo, novembro 21

Vont[ades] de ir.

Num dia em que devia estar somente concentrada no trabalho, é tudo o que menos faço. O tempo urge e o trabalho parece que aumenta a cada segundo. Porém, é como se fosse outra pessoa que estivesse preocupada com o trabalho e não eu. Eu estou sentada, música ligada e pensamento ausente.

- Queria poder ir para casa.
- Mas não estás em casa?
- Estou em casa. Mas não estou no meu lar...

São coisas diferentes? Para mim são.
Houve tempos [e talvez ainda hoje isso seja uma realidade] em que quis sair de casa. Quis ausentar-me da segurança que sempre tive ali. Precisava de mim.
Contudo, hoje só preciso de voltar.
E talvez seja isso que me torna em quem sou: esta continua vontade de voltar. Eu quererei sempre voltar!
Sinto-me cansada. Tenho a alma ferida, das lutas já travadas. E sinto que o mundo é pequeno de mais para tanta batalha.
Quero aninhar-me. Sentar-me no chão. Deixar-me ir.
Quero uma caminhada que me deixe extenuada, mas de espírito leve, de alma vazia.
Tenho saudades do olhar risonho. Quero [re]aprender a dar abraços – aqueles que dizem só eu saber dar.

- Queria poder ir [já] para casa...



... e só voltar daqui a muito, muito tempo!

sábado, junho 12

Outono [perd]ido

Por onde ando?
Por onde ando eu a caminhar?
Sinto-me perdida, exausta.
Eu não sei [guar]dar as coisas importantes...
Estou sempre a perder-me!
Perderei também os outros?
Começo a sentir que sim...
Um mundo enorme...
Sozinha?
Penso muitas vezes como seria a minha vida se não tivesse dado tantas voltas...
Seria feliz, ali, onde a água do mar é quente e sabe bem? Onde as crianças podem ser crianças e os adultos simplesmente adultos? Onde nestes dias já se viam as casas decoradas... E os meninos andavam já ansiosos...
Teria sido feliz?
Quero acreditar que sim...
É que, sabes?
Não o sou.
Não hoje. Não agora, Não há muito tempo.
Procuro dentro e fora de mim...
Sinto-me inútil.
Não encontro nada de novo.
O meu coração de retalhos está vazio...
As folhas espalhadas pelo chão... Outono!
Os meus sonhos também são outono...
Espalhados. Caídos.
Eu já não sei onde. Não os encontro.

Hoje eu não tenho coração. Deixei-o em casa.
Guardado. Na gaveta. Dentro do armário.
Esquecido?
Talvez. Talvez esqueça demasiadas coisas...
Eu não encontro caminhos. Já não sei caminhar...
Apenas encontro curvas, cruzamentos e becos sem saída.
[Perd]ida. [De] [par]tida.




Serei eu, ainda, a criança que tem o sorriso no olhar?

domingo, maio 23

Encontrando[-me]... [2]

"Começou numa pequena noz de dor bem no meu intimo, mas esta foi crescendo cada vez mais até se transformar numa sufocante bola de sofrimento. Ela tinha morrido. Nunca mais voltaria a vê-la. Nunca mais voltaria a falar com ela. Nunca mais iria pegar-lhe na mão e chamar-lhe preguiçosa pateta. Nem senti-la a puxar-me os cabelos e ouvi-la dizer-me para parar de ser uma chata com cara de poucos amigos. Nem ficar apenas sentada com ela a ver televisão. Derramei a primeira vaga de lágrimas. Ela tinha-me abandonado. Eu tinha-a deixado, mas ela tinha-me abandonado a mim para sempre. A minha melhor amiga tinha morrido.
O meu corpo balançou-se novamente quando as lágrimas caíram numa nova torrente. Eu queria chorar assim desabar e ir-me abaixo."





 Peço todos os dias que voltes... que ocupes a cadeira que ficou vazia, a meu lado. Que venhas e me abraces... Que venhas e me digas que estou errada.. que as coisas não são assim. 
Que com o teu tom doce e meigo me digas que vai haver sempre alguém pela vida fora que terá a capacidade de me magoar, directa ou indirectamente. Que acontecerá sempre algo e que a vida não é a perfeição que conhecemos nos contos de fadas.
Mas, agora, queria que viesses e te sentasses na mesa, em frente a minha... voltando ao nosso tempo perfeito. Perdoa-me.
Perdoa-me pelas tantas vezes que rejeitei a tua mão quando, sempre disponível, ma estendeste, disposta a ajudar-me a erguer novamente. Pelas tantas vezes que não te soube reconhecer ao meu lado.
Dizem que quando perdemos alguém, reconhecemos sempre a sua importância na nossa vida. Reconhecemos o seu verdadeiro valor. E eu hoje reconheço-o. Perdoa-me por não o ter feito no tempo devido... por, principalmente, nem sempre te ter dito que gostava de ti. Nem sempre o ter demonstrado, escondendo-me por trás da máscara da indiferença, da frieza. 
Máscaras. 
Foste tu que me ensinaste o que elas significavam... E foste tu que me disseste que a minha era a da segurança. Segurança que não tinha. Que perdi.
E perdi-te a ti.
Perdi-te.



Palavras para quê?
Fazes-me falta...

terça-feira, maio 11

Teorias

Apetece-me chorar, gritar.
Ainda há alguns minutos atrás estava eléctrica, cheia de energia.
Foi uma descompressão, diria ele.
Ele...
Esse mesmo que causou esta inconstância em mim. Esse mesmo que tinha teorias para tudo... mas esse mesmo que se esqueceu e fez 'delete' da nossa teoria. Como se tudo fosse apenas um rascunho. E talvez não tenha passado realmente disso. Porque, realmente, a história não passou da meia página. Foi feita a lápis. E, o pior, é que foi ele quem ficou com a borracha.
Apagou-a.
Apagou a nossa e criou outra história... outras histórias... com novas personagens e novos enlaces...
E eu fiquei sentada no [col]chão, na pedra fria, no banco de jardim onde ele me deixou antes de partir.
Tudo não passam de teorias e eu tirei zero nesse exame. Ele era exigente e eu uma cabeça no ar, a viver no mundo dos sonhos, num conto de fadas que nem dei conta que existia. Julgava-me cinderela sem sapatos... e por isso caí da escada. Tropecei. Caí. E fiquei no chão. Mas ele não foi atrás de mim, não correu. Não me salvou. Ele simplesmente seguiu em frente e eu fiquei ali, de joelhos cortados [ou coração rasgado?]...
Mas tudo não passam de teorias...
E na teoria da vida não há espaços para 'se' nem porquê.
E, a única certeza que hoje tenho, é que tudo na minha vida não passa de um talvez.
Porém, tudo são apenas teorias...



[09-05-2010]

terça-feira, maio 4

Coração de porcelana [1]

Um dia alguém disse "Não te deixarei cair. Não te deixarei tocar no chão"
Lembras-te?

Queria aquele cantinho onde essa foto foi tirada.. onde aqueles sorrisos foram oferecidos e as gargalhadas soltas.. na pura inocência da nossa felicidade e vidas "perfeitas". Aqueles abraços apertados e as mãos dadas. Queria-te aqui agora para me dizeres, com a sinceridade que mais ninguém sabe, aquilo que realmente sou.. aquilo que realmente valho.
Disseste-me que a universidade seria um verdadeiro teste a minha personalidade e se eu o superasse, era porque eu era realmente a pessoa que conheceste. Não sei em que ponto desse teste vou nem qual a minha pontuação. Mas sei o quanto por vezes me custa estar aqui.
Esta é a minha cidade e tenho aqui Grandes Pessoas, é verdade. Porém, também há aqueles dias em que só queria as minhas pessoas de sempre, capazes de ler o meu olhar e interpretar os meus sorrisos. Capazes de saber quando os meus silêncios me denunciam.. e perceber quando as lágrimas estão a querer mostrar-se.
Porque a ti, minha pequenina, um dia dediquei-te aquela frase.. porque a ti pedi-te, quase num sussurro que nunca deixasses cair as pontes entre nós. E só para ti me recusei escrever no dia em que sabíamos que os nossos caminhos começavam a ser paralelos.. no dia em que sabíamos que viria a mudança. Contudo, também foi nesse dia que soubemos que se fossemos capazes de manter as nossas linhas cruzadas, sem desatar as nossas fitas, então seríamos também capazes de mandar no nosso destino e fazer a nossa história.
A ti, querida, tenho pavor de desiludir. Mas sei que, mesmo que isso aconteça, a ti não te irei perder.
Tu não és só mais uma. Tu és especial.

Hoje, só queria um abraço.. sem perguntas, sem palavras. Só o abraço e o silêncio. Aquele que tantas vezes me fez desabar e deixar o mar rebentar. Mas tu não estás aqui. E eras tu quem eu mais queria agora.
É que as desilusões são como o rebentar das ondas num dia de tempestade.. quando vem, vem todas de uma só vez!
É que as pessoas são areia que se esvai por entre os dedos. E quando damos por nós, sentimo-nos de mãos vazias.. E vemos no ar um balão, que se afasta de nós por mais que o tentemos alcançar.
É que hoje não quero dar explicações.. Hoje só queria sentar-me no chão, com o nosso silêncio e desabar. Saber que teria alguém a meu lado capaz de me compreender, mesmo sem palavras. E sei que te tinha. Porque tu adivinhavas sempre.
Contudo, aqui não tenho. Não tenho ninguém capaz de adivinhar quando preciso de um abraço ou de perceber quando preciso de falar. Aqui, ninguém me sabe ler. Aqui...
Aqui sou eu, no meu eu mais natural, espontâneo e sincero. E talvez seja por isso que aqui ninguém me sabe ler.
 Sabes, talvez seja eu que tive nota negativa no teste que me falaste. Se calhar preciso de estudar mais...
Acho que vou a exame.
E sabes, meu bem? Sei que quando chegar ao final, terei boa nota. E, espero que sejas tu a dar-me o abraço que hoje me falta e a dizer-me que consegui a Licenciatura da Vida.


[Hoje fazes-me falta.]

segunda-feira, abril 5

O início do fim

Já há muito que não faço um rascunho daquilo que escrevo. Como sempre fiz.
Talvez porque já não faça também um rascunho da minha vida. Já não planeie. Já não pense tanto nos pormenores de 'como vai ser' o amanhã.
Talvez porque a ponderação excessiva voou com o balão que larguei ao ar.
Ou talvez porque tu me ensinaste a ser assim. A deixar o mundo girar. A viver um dia de cada vez.
Porém, tu também foste. 
Sempre pensei que não terias coragem suficiente para largar o nosso balão, que teria que ser eu a fazê-lo, um dia. Só que tu surpreendeste-me [como fizeste o tempo todo] e largaste-o primeiro que eu.
Soube que isso era o fim.
O fim de uma história que nem sequer começou.

Soube que era o fim quando, ao fechar a porta, os nossos olhares se cruzaram e se demoraram um no outro. Como se quiséssemos guardar aquele momento para um dia colar no nosso álbum de memórias. Perdurando-o no tempo. Temendo pelo que viria a seguir. Assim ficamos, de coração nas mãos, a olhar-nos. Não fomos capazes de dizer adeus. Ainda hoje não o somos.

- "I miss everything that did not live with you"
- "O que não viveste comigo aproveita e vive agora"

Soube que isto era o fim.
Contudo, ao ver uma estrela cruzar o céu, foi por ti que velei. Foi a tua presença que desejei. Foi a ti que desejei que seguisse e protegesse.
Foi por ti.

- "There's the man that I chose.. There's my territory.."
- "Never happy, not satisfied. Always complains for nothing. Hopes an dreams are fading away.."

Sim. Eu não sei porquê. 
Não sei mesmo.
Sei apenas que o caos que criaste na minha vida foi demasiado intenso para se largar no meio da rua, como quem deita fora um guarda-chuva partido num dia de tempestade. Durou demasiado tempo para que possa dizer que se esquece passado um par de dias. Ou talvez não tenha durado assim tanto. Tu é que perduras-te.
Sabes.. é que não sei bem do que sinto falta em ti. Só sei que sinto.
Mas terei saudades de ti... ou da inocência que eu tinha quando te conheci?


sábado, abril 3

[Re]volta

O medo de adormecer volta. O medo de ficar sem [sonh]ar... ou [sonh]ar demais?
Volta o medo de escrever. O pânico do escuro. O frio da ausência.
Recomeça a falta de palavras.. e a dor da sua ausência..
A angústia de não conseguir rebentar... de ser como aqueles balões que se compram na feira e que, se não cuidarmos deles, voam até os perdermos de vista.. [e eu voei!]
Voei e perdi-me de vista. Desencontrei-me com o céu. Não soube lá chegar.
Nem soube comprar os sonhos.. perdi-me no caminho para a loja.
Dissera-me que a estrada era aquela.. que o caminho certo era por ali.. e eu fui. Porém, tudo o que encontrei foi um beco sem saída.. onde não havia respostas, nem verdades.
Não tinha braços estendidos à minha espera, nem ombros gratuitos.
Esses, perdi-os também.
E fiquei eu.
Somente eu.





[Um dia vou descobrir o caminho certo.
Descobrir como se segura o meu balão.
Chegar às nuvens.]

quinta-feira, março 25

Pontos de Luz

[19-03-10]
Sempre me disseram que ao vir para a faculdade as coisas iriam mudar... e que eu própria iria mudar muito. Sabia e tomava isso como uma verdade. Não sabia é que seria tanto e duma forma tão "profunda".
Quantos de nós já não nos vimos em encruzilhadas?.. 
Quantos de nós já não tivemos momentos em que nos apeteceu largar tudo.. os nossos sonhos, os nossos objectivos, negar os nossos ideais.. e simplesmente desistir?..
Quantos de nós já não pensamos se o caminho que escolhemos e percorremos seria o certo?..
.. se as pessoas em que escolhemos foram as correctas..
.. se confiávamos nas pessoas certas..
Quantos de nós já não duvidamos da verdade e pusemos tudo em causa.. inclusive nós próprios?
Quantos de nós...

"Para tudo há um fim. Sei-o agora."
Um fim nem sempre implica um 'adeus'. Um fim pressupõem [quase] sempre um (re)começo. Uma nova oportunidade. Uma mudança. Uma nova primavera.
O meu fim pode ser o inicio de alguém.
Contudo, os finais doem sempre.
E este doeu.
Mas, mais que o final, doeu o 'entretanto'. Aquele tempo de espera em que perdemos todas as certezas e em que a verdade nos parece inalcansável.
E, quando finalmente a alcançamos, desejamos voltar atrás.. porque, por vezes, dói demais.

Contudo, "Não importa o quanto algumas pessoas o decepcionaram, você ama-as, não pode apaga-las da sua vida. Mesmo que as apague do seu consciente, não as apagará do seu inconsciente."

E, nestes dias de chuva, aprendi que por vezes temos de perder para ganhar..
.. perdoar os outros é difícil, mas perdoar-nos a nós mesmos é ainda mais..
.. há 'perdões' que não se conseguem dar..
.. para aqueles que nos querem 'destruir', um sorriso é a melhor arma..
.. na escuridão, há pontos de luz vulgarmente chamados de amigos, que nos guiam e não nos abandonam!
.. posso confiar a minha vida, de olhos vendados, no escuro.. porque há pessoas que realmente gostam de nós, mesmo que tenhamos todos os defeitos chapados na cara.
.. a gentileza, bondade e um sorriso sincero, destroem até o mais duro coração.
.. não adianta sermos quem não somos. As pessoas não vão gostar mais de nós por isso.
.. quem realmente gosta, não abandona.
.. há 'perdões' que o nosso coração dá automaticamente, mesmo que a cabeça não deixe ou não queira
.. que a 'voz' do coração acaba sempre por ser mais forte e vencer..
.. os olhos não mentem. E há realmente bons leitores de olhares! E eu aprendi a sê-lo..
.. nem sempre desistir significa perder. Por vezes desistir, apenas mostra o quanto somos fortes e capazes de saber quando vale a pena parar de lutar.
.. perdoar não é esquecer. Mas nós podemos sempre comprar um pouco de 'amnésia' na loja da esquina e seguir em frente.

E, mais importante que tudo o resto.. aprendi que tenho comigo pontos de luz realmente fortes, fieis e sinceros. E, a eles, devo o meu sorriso. Por eles, sorri e sorrio. Sem eles, a escuridão seria insuportável. 
No fim de tudo? Aprendi que ainda nada sei. Porém, não preciso de saber para sentir. E hoje, sinto-me 'vazia'. 'Vazia' mas completa! Completa e feliz.




[25-03-10]

quinta-feira, dezembro 10

In[só]nias


O sono não vem. O desespero aumenta. As voltas na cama fazem-me calor. Já estou a transpirar. E irritada. O mau humor acumula-se. Condensa-se.
O tic-tac do relógio indica a passagem do tempo. Mas o tempo não passa! Congela-se nos minutos sempre iguais.
A porta abre-se.
Reclamam por a luz ainda estar acesa, por eu ainda estar acordada. Apago a luz. Prometo ir dormir.
A porta fecha-se.
E eu, atenta a cada som, espero que o silêncio volte novamente para [re]acender a luz.
O sono não vem.
Não consigo dormir. Talvez não queira dormir também.
Pego num livro mas, ao fim de algumas linhas canso-me e apetece-me atirá-lo pela janela.
Está calor. Tenho sede. E estes malditos mosquitos insistem em deixar-me sem sangue, quais vampiros!
O sono não vem.
E eu também não sei ir ter com ele. Esqueci o caminho no mesmo dia em que o sono me começou a trazer sonhos.
O son[h]o não vem. [E eu [não] quero que venha!]
Não quero sono que se perca passado uma hora, testa suada e coração a mil.
Quero uma viagem calma, um son[h]o despreocupado.
O sono não vem.
Ou talvez esteja já a chegar...
Vamos lá ver que son[h]os o sonho me traz!

quarta-feira, novembro 18

[na]s[c]er!



[09-09-09]














É sufocante o desespero de quem espera. Ver o tempo a aproximar-se mas ter a sensação que tudo parou e tudo anda ao contrário. Ver os relógios com horas sempre iguais e o sol sempre no morrer, nunca no [na]s[c]er.
É o desespero de quem se senta num banco de jardim à espera de uma esmola. Ou de um músico que [se de]para com trinta [com]passos de espera. Ou de quem anseia pelo [re]encontro. Ou de um estudante antes do seu exame final. Ou...

É o desespero. É desesperante.

Querer mudar o tempo. Acelerar, abrandar, mudar de mudanças. Fazê-lo correr, fintar os segundos e marcar horas.
Mas o relógio ficou sem pilhas. Esquecido na parede, onde ninguém lhe deu à corda. E ele já não bate as horas.
O relógio parou. O tempo parou. O mundo parou. A vida parou.

Só eu continuo aqui, à espera que o tempo mude, acelere e faça um sprint até ao final. Ganhe. E eu ganhe com ele.






Alguém tem, por favor, um
relógio e me diga as horas?

segunda-feira, novembro 16

[Vícios]

A nicotina invade-me... o corpo, a mente, a alma... É vício que me destrói e quase me mata.
[Vício... que sabes tu de vícios?]
A nicotina liberta-me... faz-me ser quem eu não sou, quem na verdade gostava e quero ser. Acalma-me... deixa-me respirar quando a vida sufoca. Dá-me força e coragem quando estas me faltam (todos os dias?). Alimenta-me quando a fome me vence. Faz-me dizer sim quando o mundo me diz não.
[Vícios... que sabes tu de vícios?]
A minha nicotina eras tu... E agora que tu foste... transformei o meu vício. Será o meu vício a tua simples ausência?

[Vícios... que sabes tu de vícios?]

domingo, novembro 1

m[d]edos mudos ,


Há alturas em que a vida vira do avesso. Em que perdemos o rumo, nos desencontramos e tudo muda. Ou pensamos que muda.
Encontramos novas pessoas, novos desafios pelo caminho... e por momentos parece que esquecemos o passado e tudo o que ficou para trás. Então eis que ele volta, como onda que nos arrasta pelo mar dentro... Eis que entendemos que não somos capazes, que nunca vamos ser... de deixar ficar o ontem na gaveta. Porque, por vezes, essa gaveta tem vida própria e grita... e abre-se sozinha... deixando-nos sem fôlego. Indefesos. Expectantes. Cheios de esperança que venha o presente, o futuro... e que tenham a força que nos falta... a coragem que não tivemos de dizer chega e, com um só gesto, fechar a gaveta... mais uma vez... de vez?


[16-10-09]

quarta-feira, maio 27

Falatório


Dizem-me para eu não [escre]ver. Para não [escre]ver se for só por obrigação.

Dizem-me para não sentir em demasia. Para ser mais objectiva.
Dizem que em mim há muito coração. Mas que pouco dele é meu.

Se me vêem a chorar é porque sou demasiado frágil.
Se aguento tudo com um sorriso, sou fria.
Se digo o que penso sou respondona.
Se fico em silêncio é porque não me interesso e sou mal-educada.


Não quero ouvir mais! (mas eles continuam a falar. Falam sempre.)

Pego num cigarro (mas eu não fumo!) e acendo-o. Mas não lhe toco. Dou por mim a ver a cinza a cair... a escrever a história da minha vida. De qualquer outra vida.
Esse cigarro invent[d]ado que me mata aos poucos.




Só não [me] mata esse vício de ti! (Dizem...)

quarta-feira, maio 13

[d]ias [de chuva]


.


Apetece-me chorar. Quero chorar.



... mas não consigo. Não sou capaz. [Não] mais...


É que esta tua ausência fere-me e todos os dias são dias de chuva.
A distância diz-me que já não há nada que possa chamar 'nosso'.
Não há u[m] 'eu' sequer.
E todos os dias são dias de chuva...


Apetece-me escrever. Quero [escre]ver.



... mas [não con]sigo. [Não] sou capaz.


É que tu roubaste-me as palavras. Levaste-as na mala.

Nessa bagagem que não levaste.

Deixaste-a ficar no comboio quando decidiste que não era [aqu]ela a direcção que [quer]ias seguir.

Simplesmente mudaste.

De [des]tino. De ti?
E agora todos os dias são dias de chuva...

Apetece-me gritar. Quero [grit]ar.



... mas não con[t]*[s]igo.


É que a minha voz afinal era a tua.

O meu rosto era o teu.

Tudo em mim eras tu.

Mas tu foste.. E eu fiquei sem nada.

Sendo nada.

E nem um sorriso me deixaste.

Apenas me disseste que todos os dias seriam dias de chuva...


Apetece-me fugir. Quero [fug]ir.



...







... posso?

domingo, janeiro 20

O passar dos dias .

Ontem tive um sonho...
Era estranho..

Encontrei-te no meio da rua, por acaso, e abracei-te. Assim do nada. Sem razão. Sem palavras. Apenas o abraço.
Sentamo-nos e falamos um pouco.
A conversa era fria. Distante. Mas o calor do abraço estava lá, entre nós.
E, assim como nos sentamos, levantamo-nos e fomos caminhar um pouco. Sem palavras. Apenas nós e os nossos passos. Apenas nos e os sons da multidão. Apenas.

...

De que servem os abraços, os encontros... e tudo aquilo que dizemos que nos faz felizes se, ao chegar a noite, temos sempre a mesma vontade louca de chorar?
De que serve tudo aquilo a que tantos dão valor, se as lágrimas caem sempre por mais que as tentemos impedir?
De que serve termos o nosso mundo se tudo não passa de uma ilusão?
De que serve... ?

Todas as noites, as lágrimas voltam. A angústia volta. A dor volta. Volta tudo. Tudo.
E nós ficamos ali... quietinhas na nossa cama... à espera que tudo passe. Que o amanhã volte. Que o sol nasça. Que o mundo ganhe cor.
E passamos mais um dia por entre tudo aquilo em que acreditamos.
E à noite, tudo recomeça. Sempre com a mesma vontade louca de chorar!


...

Riste-te de mim.
... mas e tu? Não sentes o mesmo?
Estas mesmas vontades?
Não serão os teus dias sempre iguais aos meus?

Tu, que emprestas o sorriso ao mundo...
Não tens, todas as noites, sempre a mesma vontade louca de chorar.. sem motivo, sem razão?