quarta-feira, janeiro 27

[In]coerência [in]coerente.

Pensamentos incertos. Certezas[in]. Conflitos de paz. [Des]Espero.
Agora! Já! Ou talvez amanhã.
Incoerência coerente. Dúvidas de crente.
Sufoco de liberdade. O escuro n[d]*a claridade.
Um dia. O amanhã talvez [mas porque não o agora?]. Porque há medo... medo de ir embora. Quero guardar o hoje junto com o outrora. Acender a luz e ver o preto ir embora. Clarear o branco e deixa-lo quieto a um canto. Correr no escuro, sair do barulho. Fugir à rotina, fechar a gaveta com a palavra "menina". Acreditar que sou normal, que o mundo é real... buscar um sonho, sem ter medo de o criar.
Quero... apenas quero... saber limpar-te e deixar-te ir. Abraçar-te e saber que se o amanhã não vier é porque não tinha de vir.
[Aceitar que] Gosto de ti.
E isto é tudo o que, no meio da minha coerência incoerente, consigo definir [sentir?]...





"Quando há medo de ir embora, é porque vale a pena ficar... Quando não temos medo da despedida, é porque já fomos embora com o corpo presente."

terça-feira, janeiro 19

Mundo [do] tr[avesso]


O que seria de... se...?

Se hoje fosse amanha e amanha fosse hoje, como seria?
E se de repente o dia fosse escuro, e a noite se tornasse em dia?

E se o certo se tornasse incerto como iríamos viver?
Será que tudo seria tão maravilhoso como pensamos ser?

Como seria se o mundo fosse pintado de preto e branco?
Como seria se o tudo fosse nada e o nada fosse tanto?
Qual seria a cor da paz nesse mundo tão escuro?
Que sentimento usaríamos nós como nosso escudo?

Como seria se o amor fosse ódio, e o ódio fosse amor?
Conseguiríamos nós viver num mundo sem rancor?
E se os rios fossem as montanhas e o céu, o mar?
Como seria se os pássaros andassem e nós soubéssemos voar?

Como seriamos nós sem a nossa própria liberdade?
Como seria termos de fazer tudo contra a nossa vontade?
Como seria o Homem sem a sua liberdade de expressão?
O que seria do Homem se fosse proibido de sonhar com o coração?

Como.. se.. o que importa como seria e como será?
Não seremos nós mesmos a maior descoberta que há?

E quando o Homem mexe com o mundo e este com o Homem...
Não será melhor viver o presente e esquecer o amanhã e o ontem?

O hoje não importa para o ontem, nem o ontem para o amanhã
Tudo será único se aproveitarmos o que a vida nos dá
Podemos viver o ontem no hoje e o hoje no amanha
Porque no final, tudo será igual

O mundo é igual a nós mesmos e sempre será assim...
Não adianta falarmos no fim do mundo quando seremos nós a ditar o seu fim!



 
do diário' Poeta & Poetisa

sexta-feira, janeiro 15

Um dia...

Um dia disseram-me...

"O tempo chega sempre, mesmo que nem sempre chegue a tempo." (provérbio oriental)








E quando eu deixei de querer mudar o tempo, percebi que tudo acontecia no tempo certo.

quarta-feira, janeiro 13

Tempos [Indefin]idos.

Soube que te tinha perdido no momento em que a tua mão fugiu da minha, aos poucos.
Tu voltavas a procurar a minha... voltavas a agarrar-me a mão, a entrelaçar os teus dedos nos meus com força e firmeza... mas as mãos voltavam a deslizar...
Soube que [te] tinha [perd]ido no momento em que a chuva começou a cair sobre nós... ainda que nós estivéssemos apenas a ouvi-la cair lá fora.
Senti-te... encontrei-me... e depois perdi-te.
Soube que [te] tinha[s] perd[ido] no momento em que fechei a porta e não tive coragem suficiente para a voltar a abrir e ver se ainda continuavas lá... Como quando vamos na rua e seguimos caminhos diferentes e naquele momento, naquele estranho momento olhamos para trás, só para confirmar que seguimos o caminho certo... e vemos alguém parado a olhar para nós... como se quisesse apenas ver-nos mais uma vez.
Senti[-te]... encontrei[-me]... e depois perdi[-te].

... mas não perdi uma parte de mim. Perdi-me.
E deixei-te algures na página de um livro rasg'[d]'ado pelo tempo, guardado numa qualquer estante, duma qualquer casa... esquecida, abandonada. Feliz.







[Tu não tiveste força suficiente... 
e tive que ser eu a desatar a nossa fita de seda.
Antes desata-lá que deixa-lá partir, rasgar. Porque
só aquelas que desatamos, podemos um dia voltar a unir.]

segunda-feira, janeiro 11

Encontrando[-me]...

"Às vezes desistir é o mesmo que vencer sem travar as batalhar. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, ás vezes o único que os homens conhecem."


"Eu também tenho medo, mas não digo nada. Gosto de sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem, mesmo quando os dias me trocam as voltas e chego à noite estoirado a casa, sem encontrar sentido às coisas."





(algures na gaveta de Margarida Rebelo Pinto)

quarta-feira, janeiro 6

Eu sabia que vinhas...

"Eu sabia que vinhas..."

Sabes, tenho medo de te perder. É que, ao perder-te, tenho medo de me perder. Perder-te seria perder-me. Perder-te, seria perder uma parte de mim. Porque contigo encontrei-me de novo. Encontrei o mais importante de mim... o meu sorriso.
Tenho medo que perder-te signifique ter os dias sempre iguais novamente. Porque tu trocaste os meus dias sempre iguais por meia dúzia de sonhos ali na loja da esquina.
Por isso mesmo, ter-te significa ter a [in]certeza do amanhã alojada em mim.



Ter-te significa sempre um "talvez".
Ter-te é ter-me.
[porque tu vieste e trocaste os meus dias sempre iguais pela [in]certeza do talvez!]


... os meus [dias sempre igu]ais tornaram-se [in]certos.
O hoje já não é igual ao ontem, nem será certamente igual ao amanhã.
Ter[-te]. Perder[-te].

Quando é que tudo começou?
Começou?





"Eu [sab]ia [qu]e tu [v]i[nh]as..."




[porque não se pode acabar uma história que ninguém começou. É por isso que nós somos ninguém. É por isso que não há nada para acabar.]

segunda-feira, janeiro 4

Do meu baú...














Nem sempre queremos palavras de conforto, abraços ou presenças físicas.
Há coisas que valem mais que isso.
Há pessoas que nos dão uma palmada nas costas quando vêem uma lágrima... para depois se irem embora. Mas há quem não diga nada e fique.
Há quem esqueça as nossas lágrimas... porque muito antes, muito antes disso já viu a tristeza no nosso olhar.
Há quem se esqueça das palavras bonitas para dizer aquelas que tem de ser ditas... aquelas que realmente merecemos e precisamos de ouvir.
Há quem não precise de estar ou dizer algo para que saibamos que está presente... porque simplesmente está.
Sente-se.
Mais que presença física...
Mais que (apenas mais) um corpo ali junto de nós...
Apenas sente-se.
Onde mais ninguém o pode sentir.
Lá dentro. Cá dentro.

Há pessoas que simplesmente chamamos de amigos.
Amigos.
Não colegas... não companheiros... não conhecidos...
Amigos.
Porque não é preciso dizer nada mais.
... não precisam de justificações... perguntas... ou serem chamados.
Simplesmente estão lá. Sempre.
Onde mais ninguém pode estar.
Estão.
E são eles as nossas forças.






[Escrito a 03-01-08 || Assustei-me ontem quando o encontrei e o (re)li. Ontem fez exactamente dois anos que o escrevi... estranha coincidência, não? Lembro-me, como se fosse hoje para quem o escrevi. 
É pena que essa pessoa já não faça parte da minha vida... Se calhar não defini bem o que é ser amigo... Ou simplesmente perdi-me e escolhi a pessoa errada para o escrever... perdendo-a depois.]

segunda-feira, dezembro 28

A [v]ida de todos os [d]ias

+p
 
E no fim de tudo... o que nos leva a escrever? 
O que nos faz querer o que vai cá dentro em palavras ter?
Porque esta incessante vontade? 
Será real? Será capricho? Será necessidade?

Ou uma mera perspectiva de tudo o que gira à nossa volta? 
Será que tudo acontece quando a rede de sentimentos se solta?

Nem sempre temos a capacidade de deixar 'tudo' acontecer...
Mas que outro sentido terá a vida, se não deixar a vida correr?

E as palavras correm soltas, num pensamento que vem de dentro 
Que no fundo fazem sentir diferente cada momento.

Porque o momento do 'agora' daqui a pouco já não é 'nada' 
Porque se neste instante sorrio, daqui a pouco posso estar desesperada.
Quem nos garante que as coisas não mudam?
Que nos diz que a felicidade é tudo e ao mesmo tempo um pedaço de nada?

E não será a felicidade um misto de tudo e nada ao mesmo tempo?
Até porque a felicidade deve sempre ser sentida no momento...

Como escolhemos então o melhor momento da nossa vida?
Ela dá-nos a amizade, o amor... tantas coisas para serem sentidas!
Cada uma para ser saboreada instante a instante...
Todas elas únicas, especiais... importantes.

... porque a vida pode até ser apenas um dia
e saber à anos, se for vivida como nós a vivemos!
... porque no nosso mundo, em tudo o que temos,
somos nós. E em nós somos plenos.



do diário' Poeta & Poetisa

sexta-feira, dezembro 25

O [na]tal.






Quero o meu natal de volta, dizia eu há alguns dias atrás. Disse-o até hoje. [E ainda hoje o digo]




O meu natal era aquele natal de felicidade pura, onde dávamos o melhor de nós, sem esperar receber. Onde o que se dava eram mais que presentes. Cada presente dado era pensado ao pormenor. Era um natal mágico. Não havia consumismo... havia alegria e simplicidade. Havia o desejo de ver um sorriso de surpresa, uma lágrima no canto do olho... a felicidade.

Mesmo que só por instantes...

Mas esse natal fugiu. Foi fugindo aos poucos... Para mim, o natal tornou-se consumista. Em que se enfeitam as casas e se faz uma árvore só para mostrar e não com o verdadeiro espírito que a época espera.
Perdeu-se a magia de ir numa carrinha, ao frio, ao pinhal mais próximo só para buscar musgo para fazer o presépio em casa da avó. Presépio sempre grande, feito sempre a mais que duas mãos. Feito ao som de risos e gargalhadas. Era a alegria no seu estado mais puro. Em que, na árvore, cada enfeite era um desejo. Cada estrela, um membro da família. [Onde estão essas estrelas?]
O natal perdeu-se.
E, com ele, a vontade de o viver.
Tão simples quanto isso! [Simples?]
Acho que preferia voltar a infância e acreditar que o pai natal existia e que viria trazer os presentes e mudar o mundo.
O pai natal de antes castigava. Se nos portávamos mal, as prendas não vinham. Para elas virem tínhamos de as merecer.
Agora, já ninguém acredita no pai natal e as prendas aparecem sempre.
Por isso deixei de as dar.
Este ano não dei prendas a ninguém. Quando as dava, fazia-as eu. Contudo, havia sempre as outra, dadas por 'alguéns', compradas numa qualquer loja, que se tornavam mais especiais e com mais valor. E eu sempre fui ensinada a acreditar que as coisas feitas por nós tem mais valor... tornam-se diferentes. [Fui ensinada a acreditar em tanta coisa...]
Deixei de as fazer. Comecei a comprar. Eram as poupanças de um ano investidas em meia dúzia de meios sorrisos. Mas o sentido não era o mesmo. E o natal deixou de ser natal.
E este ano não dei.
Recebi muito (mais do que devia e merecia até), mas não dei. Não dei presentes. Dei o presente, o agora... e, nele, um sorriso.

Talvez um dia, quando volte a ser natal, eu volte a dar alguma coisa. Por agora, é o que tenho.
Lá fora [cá dentro?] chove... e para mim não é natal.






[24.12.09
04h31]

quarta-feira, dezembro 23





“Quem sou eu e como acabará esta história?”










Nicholas Sparks
O Diário da Nossa paixão

quinta-feira, dezembro 10

In[só]nias


O sono não vem. O desespero aumenta. As voltas na cama fazem-me calor. Já estou a transpirar. E irritada. O mau humor acumula-se. Condensa-se.
O tic-tac do relógio indica a passagem do tempo. Mas o tempo não passa! Congela-se nos minutos sempre iguais.
A porta abre-se.
Reclamam por a luz ainda estar acesa, por eu ainda estar acordada. Apago a luz. Prometo ir dormir.
A porta fecha-se.
E eu, atenta a cada som, espero que o silêncio volte novamente para [re]acender a luz.
O sono não vem.
Não consigo dormir. Talvez não queira dormir também.
Pego num livro mas, ao fim de algumas linhas canso-me e apetece-me atirá-lo pela janela.
Está calor. Tenho sede. E estes malditos mosquitos insistem em deixar-me sem sangue, quais vampiros!
O sono não vem.
E eu também não sei ir ter com ele. Esqueci o caminho no mesmo dia em que o sono me começou a trazer sonhos.
O son[h]o não vem. [E eu [não] quero que venha!]
Não quero sono que se perca passado uma hora, testa suada e coração a mil.
Quero uma viagem calma, um son[h]o despreocupado.
O sono não vem.
Ou talvez esteja já a chegar...
Vamos lá ver que son[h]os o sonho me traz!

quarta-feira, dezembro 9

[sou] criança .


" " Diz o mestre:
Se você tiver que chorar, chore como as crianças.
Você foi criança um dia e uma das primeiras coisas que aprendeu a fazer na vida foi chorar; porque faz parte da vida. Nunca se esqueça de que você é livre e que demonstrar emoções não é uma vergonha. Grite, soluce alto, faça barulho, se tiver vontade - porque é assim que choram as crianças e elas sabem qual é a maneira mais rápida de sossegar os seus corações.
Você já reparou como as crianças param subitamente de chorar? Alguma coisa as distrai, algo lhes chama a atenção para uma nova aventura.
As crianças param de chorar muito depressa. Assim será também consigo - mas apenas se chorar como chora uma criança. "



Paulo Coelho - Maktub

sábado, novembro 28

[De]Lírios


A minha vida não é de[lírios e p]rosas
Contudo, hoje sonho em conjunto,
Um sonho dentro de um sonho, com outro sonho junto.
O meu sonho e o meu ser.
Sonho com um outro espaço, uma outra forma de viver.
Sonho e deliro, saindo de mim
Fujo do que fui e agarro-me ao que quero ser.
Ambiciono ser um outro alguém,
Cobiço o futuro e entrego-me à vontade de vencer.
Vencer mais que o mundo que me rodeia,
Vencer-me a mim mesma, libertando-me das correias.
Correias estas que me prendem e acorrentam a alma.
Deixo o mundo girar, girando com ele,
Ficando tonta, perdendo a calma.
A calma que tantas vezes me restringe,
Deixando de lado a comodidade,
E abraçando, com tranquilidade,
O decurso do rio que esta vida me impinge.
Perco-me e encontro-me novamente.
Deliro, perco a certeza neste minha estranha mente.
Devaneio e dou por mim num campo
Rodeado de lírios bravos, lírios brancos
Os lírios da beleza e pureza encontrada
Nesta minha busca de certezas, sentindo-me desesperada.
Sou alguém em delírio, quase alucinada.
Tenho a calma do vento e o vento é a fachada
Pois quando o mundo gira, eu giro com ele
E a calma desaparece, deixando-me desorientada.
Transfiguro-me e deixo-me perder
Corro, fujo.. e volto, como os lírios, em delirio, a nascer.

quinta-feira, novembro 26

[mag]ia na [v]ida


Hoje encontrei vida.
Encontrei um olhar profundo, um olhar marcante
Encontrei um sorriso, a serenidade,
e os sonhos de um viajante.


Diz-me então por onde viajas.
É fantasia?
Viajaras tu por entre a magia?
Ou viajas por sonhos de criança,
onde tudo dura o suficiente para haver esperança?

A esperança nunca deixou de existir
No olhar da menina que sabia sorrir.
Esse olhar hoje sorriu novamente
E trouxe a maior verdade em mim existente.

Define-me então a menina que há em ti.
Essa tal menina que hoje sorri.
Será um sorriso que se tornará constante,
ou um sorriso de apenas um instante?

O olhar sorri constantemente,
mesmo que a alma o lamente.
E este que vesti hoje,
é o sorriso mais verdadeiro que possuo.
O mais real, o mais puro.

Assenta bem o sorriso a essa menina feita mulher.
E o meu desejo é que ela sorria quando quiser.
Mesmo o meu ombro servindo para apoiar,

Quando a menina quiser chorar.


E esse ombro é do ser mais especial que tenho na vida.

É um Amigo. E esta é uma palavra sentida.

Um anjo feito homem, um homem feito poeta.

Que me deu Vida e me ensinou que a amizade pode ser perfeita!






do meu Porto de Abrigo.

quarta-feira, novembro 18

[na]s[c]er!



[09-09-09]














É sufocante o desespero de quem espera. Ver o tempo a aproximar-se mas ter a sensação que tudo parou e tudo anda ao contrário. Ver os relógios com horas sempre iguais e o sol sempre no morrer, nunca no [na]s[c]er.
É o desespero de quem se senta num banco de jardim à espera de uma esmola. Ou de um músico que [se de]para com trinta [com]passos de espera. Ou de quem anseia pelo [re]encontro. Ou de um estudante antes do seu exame final. Ou...

É o desespero. É desesperante.

Querer mudar o tempo. Acelerar, abrandar, mudar de mudanças. Fazê-lo correr, fintar os segundos e marcar horas.
Mas o relógio ficou sem pilhas. Esquecido na parede, onde ninguém lhe deu à corda. E ele já não bate as horas.
O relógio parou. O tempo parou. O mundo parou. A vida parou.

Só eu continuo aqui, à espera que o tempo mude, acelere e faça um sprint até ao final. Ganhe. E eu ganhe com ele.






Alguém tem, por favor, um
relógio e me diga as horas?

segunda-feira, novembro 16

[Vícios]

A nicotina invade-me... o corpo, a mente, a alma... É vício que me destrói e quase me mata.
[Vício... que sabes tu de vícios?]
A nicotina liberta-me... faz-me ser quem eu não sou, quem na verdade gostava e quero ser. Acalma-me... deixa-me respirar quando a vida sufoca. Dá-me força e coragem quando estas me faltam (todos os dias?). Alimenta-me quando a fome me vence. Faz-me dizer sim quando o mundo me diz não.
[Vícios... que sabes tu de vícios?]
A minha nicotina eras tu... E agora que tu foste... transformei o meu vício. Será o meu vício a tua simples ausência?

[Vícios... que sabes tu de vícios?]

domingo, novembro 1

m[d]edos mudos ,


Há alturas em que a vida vira do avesso. Em que perdemos o rumo, nos desencontramos e tudo muda. Ou pensamos que muda.
Encontramos novas pessoas, novos desafios pelo caminho... e por momentos parece que esquecemos o passado e tudo o que ficou para trás. Então eis que ele volta, como onda que nos arrasta pelo mar dentro... Eis que entendemos que não somos capazes, que nunca vamos ser... de deixar ficar o ontem na gaveta. Porque, por vezes, essa gaveta tem vida própria e grita... e abre-se sozinha... deixando-nos sem fôlego. Indefesos. Expectantes. Cheios de esperança que venha o presente, o futuro... e que tenham a força que nos falta... a coragem que não tivemos de dizer chega e, com um só gesto, fechar a gaveta... mais uma vez... de vez?


[16-10-09]

quinta-feira, outubro 22

Hoje...


Sinto a tua falta. Hoje lembrei-me tanto de ti... É inevitável não sentir saudade... Queria que o tempo voltasse atrás. Passamos por tanto! Quando estavas comigo tudo se tornava tão mais fácil.. tão mais suportável. Continuo sem perceber o que aconteceu.. continuo sem entender porquê. Porquê?
Só queria que estivesses aqui. Tantos planos... tantas histórias... tantos momentos... tanto de nós!
Hoje chorei.
Por medo, por raiva, por saudade, por nós.
Quis trabalhar e só pensava em escrever. Em escrever-te.
Como pudeste deixar tanto de ti em mim? Como pudeste partir sem olhar para trás, sem pensar, sem dizer adeus... sem me deixares dizerte adeus? Como pudeste ir sem me deixares, por única vez, dizer-te o quanto eras importante?
Sinto a tua falta.
Nunca te dei um abraço... mas tiveste sempre o meu sorriso e o meu olhar sincero. Tiveste, até, as minhas lágrimas.
O nosso tempo nunca foi perfeito. Nem sequer quando sabia estar a chegar ao fim. O orgulho foi sempre maior. E por isso choro. Revolto-me. Porque tu? Logo tu!
Serás tu o meu guardião de memórias? Aquele que mesmo longe consegue chegar a mim e acalmar-me as rugas que se vão formando na testa? Serás tu o protector que sempre quis ter?
Não. Não me lembrei de ti passado um ano. Não. Não te recordei como devia. Nem te amei como devia enquanto pude fazê-lo. Perdoa-me.
Hoje choro.
Recordo-me de tudo... de cada momento. De ti. De uma história que acabou quando apenas ia no início.
Fazes-me falta. Já te disse?
Hoje toda a gente me faz falta. Até tu.
É que hoje, no meio desta reviravolta que levei dentro de mim, perdi-me. E temo não mais me encontrar.

(17-10-09 05h45)

quarta-feira, outubro 14

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, setembro 14

Esta coisa de gostar de alguém...



Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque
a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.

Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?

Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é díficil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.

Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.


Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.

(Fernando Alvim)